Faz parte das rodas de
conversa dentro e fora da faculdade que a profissão de jornalista é uma das
mais abrangentes. Afinal, o jornalista tem que ser um pouco de tudo: criativo,
bom leitor, deve gostar de aprender, de conviver com várias pessoas diferentes
e, principalmente, se manter curioso (a) e interessado(a), no sentido de não
ficar parado(a) e se torna o profissional “coringa”. É justamente neste ponto
que a jornalista graduada pela UFBA, Cíntia Melo, 47 anos, faz considerações sobre o novo
perfil do profissional de comunicação.
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| Cíntia Melo, 47 anos, jornalista |
“O mercado hoje requer um profissional
não só voltado para a área de jornalismo, com o domínio da escrita. É preciso
dominar os conteúdos não só sobre cultura, mas sobre política, economia. Está
antenado em tudo. Mas se requer também do profissional o entendimento de outras
habilitações, um pouco de produção e edição de vídeo. Entender de mídias
sociais, por que toda empresa hoje em dia seja pública ou privada ela precisa
delas. É preciso também entender sobre como fazer um evento, de como fazer um
plano de comunicação, e até um roteiro de cerimonial. Até por que antes era
tudo separado: o convite, o banner e o folder eram trabalho do publicitário e o
cerimonial do relações públicas. Hoje não, o professional tem que saber ao
menos gerir todas essas facetas de uma assessoria de comunicação. A amplitude
de conhecimento hoje que se requer de um assessor de comunicação é muito maior
do que era exigida há 20 anos. Há 20 anos não se chamava nem de assessor de
comunicação, era assessor de imprensa. Praticamente esse profissional redigia
release e enviava para os jornais, ligava para os jornalistas e editores
pedindo ou sugerindo que fosse publicado: o papel do que é chamado mídia
espontânea ou mídia gratuita. Hoje isso ainda existe, mas é muito mais que
isso, é um arcabouço de ações que requere muito mais preparo de quem está
começando.”
Especializada em Comunicação
Organizacional e Relações Públicas, Cíntia, chefia a assessoria de comunicação
do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária da Bahia) há 14
anos e explica sobre o papel das mídias sociais e de que forma elas influenciam
no trabalho de um assessor. “O perfil do meu público é o perfil de pessoas de
baixa renda e a maior parte de escolaridade limitada. Então, eu tenho de
escrever para o entendimento deles. Assim, a página do facebook se torna uma
porta de comunicação com esse público. O profissional deve fazer uma
comunicação dirigida, que é o caso da fanpage, pois ela foi pensada para
assentados da reforma agrária. É claro que tem pessoas que não são assentados,
mas ainda assim tem relações com atividades ligadas à terra. Ele ou ela pode
ser um militante, pode trabalhar com licenciamento ambiental ou pode ter outros
interesses que tangenciam aqueles abordados na página Cíntia comenta ainda sobre
os desafios diários da profissão.
“Trabalhar com assessoria não é só trabalhar
com o público externo. É preciso diferenciar o público geral do seu público
alvo do público interno. O profissional precisa se esforçar para escrever e se
alinhar à forma de entendimento ou para as necessidades de informação de cada
público. Por isso, é importante também conhecer sobre relações públicas, pois é
isso que vai te mostrar a diferença de públicos e as diferentes necessidades de
cada um. Para mim cada vez mais é fazer essa comunicação
dirigida e pensada para grupos específicos: o público da reforma agrária,
quilombola e proprietários rurais. É fazer um tipo de comunicação segmentada,
mas para isso é preciso pessoas para a criação de conteúdos, e a estrutura e
recursos financeiros.”














